Testemunho:

Resistir e perseverar no deserto

Carla Pereira Marcondes

Foto ilustrativa da notícia em destaque

Há um ano fui diagnosticada com capsulite adesiva ou "ombro congelado". Para quem não sabe é uma doença onde a cápsula do ombro adere ao osso e limita todos os movimentos do braço, acompanhada de dores intensas 24 horas por dia.

Passei por inúmeros profissionais especialistas e um deles desistiu de mim. Disse que fez de tudo que estava ao seu alcance e que não sabia mais o que fazer. Neste dia meu chão caiu. Voltei para casa desenganada. Minha mãe disse: “Filha! Quando a ciência entrega os pontos é a hora que Deus começa a agir porque Ele é o médico dos médicos”. Mas nada acontecia, pelo contrário, na classificação de 0 a 10 a minha dor era 12. Continuei buscando.

Foram 500 fisioterapias, 50 sessões de acupuntura, 50 sessões de RPG, emplastos à base de lidocaína 700mg (muito forte), 20 tipos de remédios, morfina e até antidepressivo, por conta do longo tempo de dor. Passei a ter tremores nas mãos, calafrios, tonturas, sudorese intensa...literalmente me sentia atordoada com tudo ao mesmo tempo.

Também foram 15 aplicações de xilocaína realizadas quinzenalmente no pronto socorro (após a aplicação, ficava em observação por 1 hora devido ao coração acelerado, pulso fraco, vertigens, respiração curta. Sentia a morte de perto.

Por várias vezes fui para o centro-cirúrgico injetar um gel que é usado em joelho de jogador de futebol. Custavam R$1.500,00 reais cada uma. Um gasto absurdo e sem poder trabalhar. Manipulações sob anestesia e mesmo anestesiada dei uma joelhada no médico.

O anestesista disse: “Essa paciente merece meu respeito, ela realmente tem muita dor”. Momentos antes de entrar para o centro-cirúrgico, eu ficava numa antessala aguardando a maca. Sentia muuuuiitoooooo medo. Louvava sempre a mesma canção: "Te louvarei, não importam as circunstâncias... adorarei... somente a ti Jesus."

Na última vez, depois de 3 horas, o médico chamou minha mãe para contar do procedimento e perguntou: “Sua filha é pastora? ” E minha mãe respondeu: “Não! Por quê? ” - “Porque ela pregou lá dentro, recitou a bíblia inteira”; (eu não me lembro de nada disso).

Quando a anestesia passava, o pior estava por vir. Minha mãe que o diga. A dor voltava triplicada, com alucinações. Foi desesperador. Todo esse tempo sem dormir; quando deitava piorava devido à pressão que exercia no ombro. Passei seis meses no sofá. Madrugadas andando de um lado para outro.

Aprendi com Deus que até o céu tem seu tempo de azul e de cinza, de nuvens e de sol, de luz e escuridão. O deserto é passageiro, mas cheguei a pensar que estava fazendo morada. Deus me capacitou a encontrar um oásis dentro da minha alma. Tive medo dos meus próprios sentimentos.

Usei minhas lágrimas para irrigar minha fé; tive que aprender a refinar a minha paciência. Muitas vezes, não tinha forças para ir ao culto, mas ao mesmo tempo, tinha certeza que o Senhor falaria comigo através dos louvores, da oração ou da própria Palavra para me encorajar a não desistir da batalha que estava enfrentando.

Teve momentos que a minha fé parecia esmorecer, dou glórias a Deus pela minha família e amigos, da importância da família que ora unida. Porque quando um se abala o outro está forte e vice-versa.

Clamávamos ao Senhor para equilibrar minhas energias, fortalecer o meu espírito e aumentar minha fé. Que se cumprisse a vontade Dele na minha vida. Somente com o Teu amor alicerçando a minha vida é que poderia vencer. Meus movimentos ainda estão limitados, não voltaram 100% ao normal, mas desde sexta-feira, dia primeiro de abril (01/04/2016), não sinto mais dor.

A dor simplesmente sumiu! Deus seja louvado!